domingo, 2 de julho de 2017

Geração "BARSA" x "MIMIMI"...


Sou de uma geração que cresceu estranha ao atual dinamismo e fartura de informações e conhecimento. Para realizar pesquisas e trabalhos eramos socorridos pela BARSA (a qual grande maioria de nossos jovens desconhece) que era disputada nas bibliotecas. Lembro como os abastados eram felizes ao ostentar sua coletânea particular sem precisar correr para a biblioteca, enfrentando cotoveladas nas disputas pelos livros.
Sim, você que estudou nos anos 90 em uma escola pública do interior e queria realmente aprender, deve ter passado situação similar.

Quem nunca passou um tempo debruçado sobre eles?
Sou de uma geração que tinha interesse e zelo pelas coisas, pois tudo deveria ser descoberto, nada nos era dado e as dificuldades sempre latentes mantinham em nossas mentes e desejo de crescimento e sucesso..
É perceptível que fora uma criança curiosa, que no afã de compreender como as máquinas funcionavam - fosse o rádio a pilha, televisão ou a vitrola - buscava diversão, desmontando objetos e "matutando" para reestruturar os pedaços. Era um desafio gostoso ante a inexistência de tutoriais, tampouco internet para realizar a pesquisa, muito menos youtube.
Neste prisma, quando maior, me vi fascinado pelos computadores, que eram um símbolo de status social, pois aqueles que possuíam tal aparato recebiam atenção e inclusive visitas em suas casas, onde os curiosos poderiam ver de perto como funcionava. Caso a pessoa tivesse uma impressora, aí sim, era a materialização do próprio arquiteto do universo.
Deste modo, por ter sido criado nos preceitos rígidos do tradicionalismo, mal havia adentrado a puberdade e já deveria "aprender uma profissão", pois um homem deve desde cedo ser útil e através do seu esforço prover sua família.
Sendo assim, arrumei meu primeiro emprego em uma empresa de informática em uma cidade interiorana e me vi fascinado pelo mundo digital, que naquele momento era acessado através de um portal mágico denominado "fax modem 56k ", o qual utilizava o moderno barramento ISA (hoje parece brincadeira aqueles 8bits, kkk). Lá se foram anos trabalhando gratuitamente para aquisição de conhecimento e consequentemente "ter uma profissão".
Saudades do MS-DOS, do Windows 3 e do revolucionário Windows 95, quantas formatações, quantas descobertas e tempo investido para conhecer os detalhes. Acompanhar de perto a transformação dos slots, ISA para PCI, para AGP (no caso das placas de vídeo), tudo mudou tão rápido.

Ô saudade! Não do sistema, dá época, rs.

Mas como eu dizia, para aprender tive que trabalhar gratuitamente e o fiz por interesse em aprender. Posteriormente tal escolha me rendeu frutos, os quais não soube administrar, pois era demasiado jovem. Não fui um empresário ou empreendedor, na realidade era um jovem muito bem remunerado para minha pouca idade, na verdade nem havia alcançado a maioridade e ganhava mais de seis salários mínimos na época, furto de muita competência, esforço e trabalho.

Enfim, qual o motivo de eu contar toda a história dos primórdios do meu desenvolvimento profissional?

A priori quero criar esse parelelo entre meu passado e o presente, pois certamente alguém passou por situação similar ou conhece alguém que cresceu nas mesmas condições que eu.

A posteriori pergunto se meus pais também ficaram surpresos com a transformação que ocorreu na minha geração, apesar de não crer que foram tão significativas quanto à atual geração Z (crianças que já cresceram com acesso à internet e com tecnologia relativamente barata e acessível). 

Mas quais os efeitos dessa transição?

Vejo jovens acomodados, acostumado com facilidades e distrações fúteis oriundas do mundo digital.
Ao menos boa parcela evita esforços e busca apenas direitos, esquecendo de suas obrigações.
Posso parecer um velho careta e revoltado, assim como muitos vovôs relembram nostálgicos o seu passado, rs, mas convenhamos que é perturbadora a tranquilidade dos jovens, em especial a geração Z. Tantas oportunidades que a tecnologia nos proporciona e estes a utilizam apenas para lazer e entretenimento.

Jovens das atualidade curtindo a vida, "suaves na nave"!

Ainda hoje li em alguns blogs que nossa tolerância à dor está reduzindo, visto que buscamos soluções através de remédios que apenas postergam o problema acarretado pela falta de autoconhecimento. Evitamos a dor e confundimos conforto com felicidade, tá foda mesmo!
Vejo que não é apenas a geração mimimi, mas todos sofremos transformações com o passar do tempo.

Fico preocupado com tudo isso, pois estamos numa situação complicada, 14 milhões de desempregados, grande maioria da população não busca melhorar e evoluir. Os jovens ao saírem da escola não estudam, nem trabalham, apenas continuam em casa esperando a vida mudar e tudo dar certo, mas não vai cair do céu caralho!
Não sou uma pessoa de sucesso, tampouco sirvo de exemplo pra nada, mas cara, eu desde cedo corri atrás das coisas, nunca fui preguiçoso ou acomodado e veja que a vida continua severa comigo e a IF está distante, pensa então essa galera que passa o dia no zap e na internet, de boa em casa. 
Molecada tá com 18, depois 20, quando perceberem estarão com 25 e por aí vai. Nem entrarei no mérito dos que se formam e continuam na aba dos pais, quase um peso morto.
Não sou radical, mas queria entender o que está acontecendo, se os pais ficaram permissivos, complacentes, se a renda dos patriarcas ou matriarcas aumentou ao ponto de não exigirem nada dos filhos, ou se ninguém importa com mais nada, apenas felicidade e prazer instantâneo.

Mas aí entra o conceito de modernidade líquida entre outros fatores, são tantas as causas e os problemas que ficará muito cansativo discorrer sobre. Então me limito à reflexão (que se confunde com desabafo) e pontuo que as coisas estão estranhas e preocupantes, rs.  Abraços!





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